Você não está logado, faça o seu login aqui
 
 
2º semestre | 10     
1º semestre | 10     
2º semestre | 09     
1º semestre | 09     
 
E-book: A Reforma do Sistema Financeiro
por IEPE / CdG em 24 Agosto 2009

Respostas: 10
Exibições: 1831
Última mensagem por IEPE / CdG em 01 Outubro 2009


Espaço criado para discussão sobre o e-book do IEPE / Casa das Garças organizado por Monica Baumgarten de Bolle e Dionisio Dias Carneiro. Como dito em sua introdução, o livro "não deve ser visto como um produto acabado". Assim, este fórum poderá contribuir para seu aprimoramento e atualização. Comentários, perguntas e críticas sobre o assunto serão bem vindas.
 
RE: E-book: A Reforma do Sistema Financeiro
por IEPE / CdG em 01 Outubro 2009

Editorial do "New York Times" sobre os movimentos políticos, sobretudo nos Estados Unidos, em torno das reformas na regulação financeira.

Disponível nas leituras sugeridas e através do link: http://www.iepecdg.com.br/uploads/artigos/090930_Signs of Life.pdf

 
RE: E-book: A Reforma do Sistema Financeiro
por IEPE / CdG em 17 Setembro 2009

Entrevista do Paul A. Volcker publicada pelo Minneapolis Fed entitulada "Paul A. Volcker In Conversation with Gary H. Stern".
Importante pela clareza com que trata os fatos e emite sua opinião.

Disponível nas leituras sugeridas e através do link: http://www.iepecdg.com.br/uploads/artigos/0909conversation.pdf

 
RE: E-book: A Reforma do Sistema Financeiro
por IEPE / CdG em 17 Setembro 2009

Interessante e-book sobre regulação financeira, publicado pelo Banque de France, contendo 14 artigos relacionados ao tema.

Disponível em nossas leituras sugeridas e através do link : http://www.iepecdg.com.br/uploads/artigos/0909rsf.pdf

 
RE: E-book: A Reforma do Sistema Financeiro
por dionisio dias carneiro em 11 Setembro 2009

Mudança de postura na reforma regulatória?

O discurso proferido em Frankfurt de Lloyd Blankfein, c.e.o. da Goldman Sachs, com que inauguramos o forum de debates em torno do processo de reforma regulatória do sistema financeiro que está em andamento, pode ser considerado um marco importante de mudanças de rumos no debate sobre o tema nos EUA. Tendo sido salvo do colapso total com enxurradas de dinheiro público que ainda não cessaram, os bancos americanos, a princípio, com Blankfein sendo um dos líderes mais vocais e responsável pelo maior lucro no primeiro semestre (especialmente porque foram dos primeiros a mudar de estratégia em 2008), tentaram reforçar a idéia de que haviam sido vítimas de riscos incalculáveis, induzidos por taxas de juros excessivamente baixas e por um processo de inovações financeiras e distribuição de riscos cujas piores consequências nem eles nem os governos nem os acadêmicos conseguiram prever.

Que o problema é mais complexo do que isso, fica claro nos artigos da coletânea que organizamos recentemente e que pode ser downloaded neste mesmo site.  O novo discurso de Blankfein, entretanto, ao concentrar-se na importância de uma gestão de risco adequada e ao aceitar a necessidade de maior regulação, deixa bem claro que administradores como ele perderam o controle do risco que suas instituições corriam e que não conseguiam medir o risco que corriam os compradores dos produtos sofisticados que seus vendedores colocavam no mercado. Engolfados por uma complexidade que não conseguiam entender, e focalizados no bottomline, que lhes garantia rendimentos despropositados, os responsáveis por estas instituições desenvolveram hábitos de negligência com as informações que lhes prestavam seus auxiliares e usaram o dinheiro de seus depositantes incautos em operações especulativas em um volume que era incompatível com sua estrutura de capital.

É significativo que, mesmo o que pode ser considerado como a primeira admissão de incompetência e incúria na gestão do patrimônio alheio, passe ao largo de opiniões sobre sobre o grau de alavancagem que é típico de empreendimentos que só podem funcionar nos bons tempos, pois têm seu capital destruído facilmente quando sofrem prejuízos.

Parece ter sido necessário um desgaste político excessivo do setor por conta da política de bônus anunciada para o próximo ano pelo próprio Blankfein (US$ 11,4 bilhões a serem distribuidos pelo desempenho no semestres), dentre outros, para que um sopro de bom senso tenha provocado uma palavra de apoio ao esforço de reforma regulatória.

Mas ainda há obstáculos respeitáveis no caminho das reformas. De um lado, a briga das burocracias em defesa de seus espaços regulatórios já diminuiu o ímpeto inicial com que o novo governo americano tomou posse. De outro lado, na medida em que as operações de salvamento, especialmete a da AIG, aliviaram o risco de nova quebra sistêmica, o lobby financeiro se reorganizou e chegou mesmo a comemorar uma eventual saída do senador Christopher Dodd do comitê bancário do Senado, que abriria espaço para um novo presidente menos independente.  Uma medida da mudança de postura que pode ser lida no discurso de Blankfein pode ser obtida comparando-se o texto de seu discurso aqui reproduzido, com um texto de autoria do próprio Blankfein em fevereiro no FT, no qual afirmava:
We should resist a response, however, that is solely designed around protecting us from the 100-year storm. Taking risk completely out of the system will be at the cost of economic growth. Similarly, if we abandon, as opposed to regulate, market mechanisms created decades ago, such as securitisation and derivatives, we may end up constraining access to capital and the efficient hedging and distribution of risk, when we ultimately do come through this crisis.

Nada como combater um straw man em fevereiro como ponto de partida para uma eventual adesão ao esforço de reformas, especialmente depois que o secretário do Tesouro levou, para a reunião do G-20, a boa notícia de que o governo americano não seria mais  obstáculo ao esforço multilateral de reorganização das atividades de intermediação financeira global, e que começava por aceitar as regras de requisitos de capital do chamado Basileia II.

 
RE: E-book: A Reforma do Sistema Financeiro
por IEPE / CdG em 10 Setembro 2009

Discurso de Lloyd Blankfein, CEO da Goldman Sachs sobre as principais questões regulatórias em discussão atualmente. Texto de grande relevância pois é a primeira manifestação de um banqueiro americano sobre as propostas de reforma regulatória.

Acesse através do link:  www.iepecdg.com.br/Arquivos/Leiturassugeridas/090909_blankfein.pdf

 
RE: E-book: A Reforma do Sistema Financeiro
por IEPE / CdG em 01 Setembro 2009

Recorte e organização da introdução para criar um "resumo" do livro.

Parte I: Aspectos Gerais 

Cap 1. Temas para a Nova Regulamentação do Setor Bancário
João Dionisio Amôedo

“Sintetiza os temas para a Nova Regulamentação do Setor Bancário, a partir dos dois tópicos centrais que parecem nortear a mente dos reguladores para a revisão das normas e dos processos atuais: o nível de alavancagem das instituições, ou seja, a relação entre o seu capital e os riscos assumidos, e a coordenação entre os diversos órgãos fiscalizadores do sistema financeiro. E examina como se poderão traduzir na prática das regras contábeis, do supervisionamento dos riscos e da alocação de capital, os princípios gerais da regulação financeira que estarão subjacentes aos debates atuais.”

Cap 2. Notas sobre a Reforma Regulatória do Setor Financeiro
Armando Castelar Pinheiro

“Parte das características peculiares das falhas de mercado na intermediação financeira, que determinam a essencialidade da regulamentação para seu funcionamento adequado como organização privada, examina o modelo de regulação prudencial e sintetiza dez medidas que se destacam nas propostas regulatórias.”

Cap 3.  O que a Crise Atual Revelou sobre as Deficiências Regulatórias?
Dionisio Dias Carneiro

“Traça um breve histórico de como as grandes crises financeiras, ao revelarem as fragilidades do sistema, dão origem a novas regulamentações e analisa cinco pontos de desenvolvimento do “sistema-modelo”, que permitiu o crescimento extraordinário da intermediação, e as fragilidades que resultaram do desenvolvimento e da generalização de suas práticas em escala global. Finalmente, avalia-se até que ponto a reforma proposta por Obama pode ser capaz de gerar maior estabilidade financeira no mercado global.”

Cap 4. A Coordenação Internacional da Regulação Financeira é Viável?
Pedro S. Malan

“Dirige-se à complexa questão da viabilidade de uma coordenação internacional da regulação financeira. Em particular, contrasta a oportunidade histórica que a crise oferece para que os países possam diminuir os conflitos regulatórios que tornam o sistema de intermediação financeira global mais frágil, com as duras realidades das peculiaridades institucionais e de características que prevalecem nos principais centros financeiros globais, que tornam menos otimistas os cenários de coordenação ao nível global.”

Cap 5. Autorregulação no Sistema Financeiro.
Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho

“Trata da crença que foi mais abalada pela crise de 2007-09, especialmente depois que Alan Greenspan admitiu haver superestimado a capacidade de auto-correção do sistema. O autor chama a atenção para um fato omitido na maioria das discussões, o de que a crise foi originada no setor mais regulado do sistema, o hipotecário, e retoma a questão da autorregulação para além das percepções ideológicas e emocionais recentes, sublinhando a importância do contexto histórico e institucional da autorregulação. Finalmente, contrasta os progressos e as inovações inequívocas que caracterizaram a autorregulação no Brasil, com os problemas e distorções gerados pelos conflitos em outros países.”

Parte II: Questões de Arquitetura Regulatória

Cap 6. Perspectivas sobre a Regulação Financeira no Brasil diante de Programas de Reforma em Economias Avançadas.
Rodrigo Azevedo e Eduardo Loyo

“Os programas de reforma regulatória iniciados em economias centrais ainda estão num estágio preliminar, e não se tem clareza sobre como os efeitos das reformas repercutirão no funcionamento dessas economias e de seus mercados financeiros. Ainda assim, não é cedo demais para tentar compreender os possíveis impactos das reformas sobre economias emergentes em geral e, em particular, sobre o Brasil, como discutem Rodrigo Azevedo e Eduardo Loyo no capítulo 6. O desenrolar da crise bancária, e os debates sobre falhas e inovações no terreno regulatório em particular, fez crescer o interesse na legislação brasileira que dá instrumentos ao Banco Central para tratar de bancos com problemas.”

Cap 7. A responsabilidade Ilimitada em Instituições Financeiras no Brasil: Antecedentes, Experiência e Considerações.
Gustavo H. B. Franco e Luiz Alberto C. Rosman

“Aborda o arcabouço legal brasileiro, sobretudo as leis que estenderam o alcance da indisponibilidade de bens pessoais de administradores aos controladores, previstas nos casos de intervenção e liquidação bancária. Essas leis possuem algumas singularidades de interesse para o debate em vigor sobre a reforma regulatória nos EUA, como mostram os autores.”

Cap 8. As Propostas Americanas: O Blueprint de Paulson vs. O White Paper de Geithner.
Dionisio Dias Carneiro e Monica Baumgarten de Bolle

“Discutem as principais semelhanças e diferenças entre o plano de reforma regulatória elaborado por Henry Paulson em 2008 e a nova proposta do Presidente Obama. O White Paper recentemente enviado ao Congresso americano teve algumas novidades interessantes na direção dos princípios, relativamente ao Blueprint de 2008, e algumas demonstrações do pragmatismo libertário, que está se tornando a marca registrada da forma pela qual a Administração Obama tem tranformado sua agenda eleitoral em um programa para a ação governamental, passando por cima de difíceis problemas de delimitação da intervenção estatal nos negócios privados. Os bancos comerciais nos EUA escolhem o regulador que os licencia, o que tem incitado os críticos das propostas de reforma a argumentar que o sistema continuou vulnerável às práticas de arbitragem regulatória, dada a manutenção do atual arcabouço institucional. ”

Cap 9. Supervisão e Regulação de Bancos Comerciais nos Estados Unidos: Características e Implicações.
Marcelo Ferreira da Motta Rezende

“Descreve como funciona o sistema bancário dual americano e explica porque a atual constituição tem algumas importantes vantagens, mesmo que abra espaço para práticas indesejáveis.”

Cap 10. Redundância e Sobrevivência no Sistema Bancário Americano.
Monica Baumgarten de Bolle

“A crise financeira internacional de 2007/08/09, mais do que qualquer outro episódio de turbulência pelo qual já passou a economia mundial, familiarizou-nos com os conceitos de redes, interconexões, complexidade e adaptatividade. Partindo destes conceitos, o capítulo 10, de Monica Baumgarten de Bolle, discute porque a manutenção das redundâncias institucionais no sistema regulatório americano pode ser desejável, apesar dos riscos de arbitragem regulatória”

Parte III. Regulação e Política Monetária

Cap 11. A Separação entre as Funções de Estabilização e de Regulação no Brasil.
Alkimar R. Moura

“Parte da experiência recente dos bancos centrais que adotaram (seja de forma explícita ou não) o regime de metas inflacionárias. Na emergência da crise, ficou clara a deficiência de regras simplistas. Ela demonstrou que alcançar a estabilidade monetária não assegura necessariamente a estabilização dos mercados e das instituições financeiras. Uma das respostas ao dilema tradicional, a separação das agencias responsáveis pelas duas funções, tem sido posta em xeque na proposta de Obama. Moura revê o perímetro da regulação bancária no Brasil, onde a regulação dos bancos é segregada do controle sobre as instituições não bancárias e examina os limites da cooperação, fazendo uso de dois episódios recentes de conflito entre os objetivos de política monetária e de regulação prudencial nos quais a primazia da estabilização macroeconômica foi essencial para preservar a estabilidade do sistema bancário. Nota, ainda, o papel que algumas peculiaridades como os altos compulsórios os bancos públicos desempenharam nas crises de crédito.”

Cap 12. O Federal Reserve Board e a Saúde do Sistema Bancário.
Ana Carolina Freire e Thomas Wu

“Observam que a crise financeira expôs uma importante assimetria na capacidade do Federal Reserve Board (Fed) de garantir a saúde do sistema bancário, por lhe faltar autoridade para obter informações de todas as instituições envolvidas no sistema e não ter poder para impedir excessos de risco dessas instituições de modo a prevenir um risco sistêmico. No caso oposto, entretanto, situações de iliquidez ou de insolvência perigosas ao sistema podem ser resolvidas pelo poder de socorro do Fed como emprestador de última instância. Em um exercício econométrico, os autores mostram que decisões de política monetária que surpreenderam para o lado dovish são capazes de valorizar significativamente os preços dos ativos para vários países, o que permite discutir os custos de ações preventivas de bolhas financeiras via política de juros.”

Parte IV: Riscos de Contraparte, Hedge Funds e Seguros

Cap 13. Riscos de Contraparte e Intermediação Financeira: Lições da Crise e Alternativas para Mitigá-los.
André d’Almeida Monteiro

“Avalia as questões relativas ao chamado risco de contraparte, que esteve no epicentro do atual episódio de turbulência financeira. Por risco de contraparte entende-se a perda potencial gerada pelo descumprimento parcial ou total da contraparte de um contrato. Dentre os originadores deste tipo de risco, os intermediários financeiros nos mercados norte-americanos tiveram papel de destaque. O pânico que se instalou nos mercados financeiros ao redor do mundo em setembro e outubro de 2008 pode ser atribuído em boa dose aos riscos de contraparte gerados por estas instituições nos serviços prestados nos mercados de balcão de derivativos e de custódia de ativos. O autor analisa em que medida estas questões estão refletidas na atual proposta de reforma regulatória dos EUA.”

Cap 14. Regulação dos Fundos de Hedge.
João Cesar Tourinho

“Ao longo dos últimos 20 anos, paralelamente ao sistema bancário, dois novos segmentos se incorporaram ao sistema financeiro global. O crescimento acelerado dos Fundos de Hedge e da Securitização levou a uma expansão não supervisionada de agentes que mais tarde se mostraram sistemicamente relevantes. No capítulo 14, João Cesar Tourinho discute como o sistema bancário “sombra” foi capaz de continuar livre para assumir riscos e atingir níveis impensados de alavancagem para o sistema bancário, e o que há de novo nas propostas de reforma para impedir que tais riscos ameacem futuramente a estabilidade do sistema financeiro internacional. Os problemas que afetam a regulação do setor de seguros, tanto nos EUA como em outros lugares, são em grande parte semelhantes, ou estão intimamente relacionados, aos problemas que afetam as estruturas regulatórias que atuam sobre as demais instituições financeiras.”

Cap 15. Regulação do Setor de Seguros.
Theodoro Messa e Marcio Palmeira

“Discutem os pontos que aparecem de maneira mais pronunciada no setor de seguros, a relação destes com o que ocorre nos demais segmentos do mercado, as perspectivas diante da nova proposta de reforma regulatória do sistema financeiro americanos e a atual situação do mercado brasileiro.”