{"id":2064,"date":"2021-06-02T12:03:09","date_gmt":"2021-06-02T12:03:09","guid":{"rendered":"https:\/\/iepecdg.com.br\/podcast\/?p=2064"},"modified":"2021-06-02T12:03:37","modified_gmt":"2021-06-02T12:03:37","slug":"arminio-fraga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/iepecdg.com.br\/podcast\/podcast\/arminio-fraga\/","title":{"rendered":"Arminio Fraga"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-normal-font-size\">S\u00f3cio fundador da G\u00e1vea Investimentos e presidente do conselho do Instituto de Estudos para Pol\u00edticas de Sa\u00fade.\u00a0Membro do Group of Thirty e do Council on Foreign Relations.\u00a0Foi presidente do Banco Central (1999-2003), presidente do conselho da B3, diretor do\u00a0<em>Soros Fund Management<\/em>\u00a0e trustee da Princeton University (EUA), onde obteve seu Ph.D.. Foi professor da PUC-Rio, da EPGE-FGV, da SIPA-Columbia (Nova York) e da Wharton School (Pensilv\u00e2nia).<\/p>\n\n\n\n<hr>\n\n\n\n<p class=\"has-megaphone-acc-color has-text-color has-large-font-size\"><strong>Resumo:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div id=\"resumo\" style=\"position: relative; top: -200px\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">O Instituto de Estudos de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, Casa das Gar\u00e7as, recebe o economista e s\u00f3cio fundador da G\u00e1vea Investimentos, Arm\u00ednio Fraga. Ex diretor de Assuntos Internacionais (1991-1992) e presidente do Banco Central do Brasil (1999-2003). Arm\u00ednio esteve na linha de frente do Banco Central em variados momentos de instabilidade econ\u00f4mica, marcados, sobretudo, por crises externas e crises dom\u00e9sticas derivadas de desequil\u00edbrios fiscais e de financiamento externo. Sua entrevista apresenta importantes li\u00e7\u00f5es e aprendizados para a gest\u00e3o de crises.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\"><strong>Uma miss\u00e3o de estrutura\u00e7\u00e3o em um per\u00edodo de restri\u00e7\u00e3o de divisas (1991)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">Arm\u00ednio &nbsp; assume a diretoria de Assuntos Internacionais do Banco Central (1991) na gest\u00e3o presidida por Francisco Gros.&nbsp; Com a morat\u00f3ria do Brasil, uma de suas atribui\u00e7\u00f5es esteve associada \u00e0 renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas privadas e p\u00fablicas. Participa das a\u00e7\u00f5es voltadas para a devolu\u00e7\u00e3o ao mercado dos recursos congelados pelo plano Collor (1990). Desse per\u00edodo, um dos seus trabalhos mais relevantes foi o in\u00edcio da moderniza\u00e7\u00e3o do sistema cambial, atrav\u00e9s da racionaliza\u00e7\u00e3o das regras e controles, os quais geraram numerosas distor\u00e7\u00f5es e oportunidades de arbitragem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\"><strong>Desvaloriza\u00e7\u00e3o, debilidade fiscal, e expectativa elevada da infla\u00e7\u00e3o: o ambiente de retorno (1999)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">Sob um cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico de instabilidade, Arm\u00ednio, que trabalhava no fundo Soros em Nova Iorque, retorna ao Brasil para assumir a presid\u00eancia do Banco Central em mar\u00e7o de 1999. Antes de chegar \u00e0 presid\u00eancia, j\u00e1 tinha entre as suas preocupa\u00e7\u00f5es a sustentabilidade da \u00e2ncora cambial, que fez parte do processo de estabiliza\u00e7\u00e3o no Brasil com o Plano Real em 1994. O in\u00edcio de sua gest\u00e3o ocorre em um momento de mudan\u00e7a do regime cambial e de muitas incertezas sobre a pol\u00edtica cambial e a infla\u00e7\u00e3o. A mudan\u00e7a do regime n\u00e3o demora, e se processa atrav\u00e9s da implementa\u00e7\u00e3o do regime de c\u00e2mbio e metas futuras para a infla\u00e7\u00e3o; a altera\u00e7\u00e3o vem acompanhada de expressivo ajuste fiscal. Para a implementa\u00e7\u00e3o do novo regime foi essencial trabalhar em conjunto com os principais credores, FMI e EUA, atrav\u00e9s do governo americano, para garantir as condi\u00e7\u00f5es de financiamento externo. Em raz\u00e3o das incertezas do per\u00edodo e dispers\u00e3o nas expectativas do mercado, o regime de metas foi implementado por etapas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\"><strong>A experi\u00eancia do setor privado e acad\u00eamico foi essencial no Banco Central<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">As experi\u00eancias nos setores p\u00fablico e privado, apesar de singulares, podem agregar-se mutuamente. Para Arm\u00ednio, uma grande li\u00e7\u00e3o que se p\u00f4de extrair da viv\u00eancia no Banco Garantia e, sobretudo, no Soros, \u00e9 sobre a import\u00e2ncia do bom cruzamento dos dados macroecon\u00f4micos com os microecon\u00f4micos para o desenho de uma boa estrat\u00e9gia de investimentos. Al\u00e9m dos modelos e da vis\u00e3o macro \u00e9 importante explorar as informa\u00e7\u00f5es que v\u00eam das empresas, dos setores, do ambiente institucional e pol\u00edtico. Um momento de aprendizado para Arm\u00ednio foi quando, ainda no Soros, lecionou na Universidade de Columbia. O curso, com cerca de 20 alunos, era baseado no estudo de Bancos Centrais. Os estudos de caso e as in\u00fameras visitas a diversos Bancos Centrais propiciaram conhecimento para quando da lideran\u00e7a do Banco Central do Brasil em 1999.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\"><strong>A crise de 2002 e a import\u00e2ncia da inflex\u00e3o do discurso<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">A crise da avers\u00e3o ao risco em 2002 foi causada e resolvida pela oposi\u00e7\u00e3o. A preocupa\u00e7\u00e3o girava em torno da realiza\u00e7\u00e3o do programa de governo pr\u00e9-anunciado pelo PT, que inclu\u00eda, dentre outras medidas, a morat\u00f3ria e auditoria da d\u00edvida. Apesar disso, ocorria o esfor\u00e7o por parte de Arm\u00ednio (Banco Central) e de Pedro Malan (Minist\u00e9rio da Fazenda) em reduzir o p\u00e2nico, ancorados no super\u00e1vit prim\u00e1rio, na d\u00edvida p\u00fablica controlada, e na boa situa\u00e7\u00e3o financeira dos bancos. A ideia b\u00e1sica era expor que, mantendo-se o ritmo j\u00e1 estabelecido, naturalmente haveria uma atenua\u00e7\u00e3o da crise, mesmo com a consci\u00eancia de que em 2003 j\u00e1 n\u00e3o haveria as mesmas presid\u00eancias no Banco Central e no Minist\u00e9rio da Fazenda. Nesse contexto, surge a carta ao povo brasileiro\u00b9 em junho de 2002, que come\u00e7ou a causar um efeito positivo no mercado, de fato, apenas ap\u00f3s tr\u00eas meses do lan\u00e7amento. Pode-se dizer, assim, que a carta serviu como uma esp\u00e9cie de \u00e2ncora para aquele momento, por\u00e9m, mais ainda, o pr\u00f3prio Lula, ao alterar o seu discurso e indicar uma equipe que trouxe estabilidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\"><strong>Os seguros para as transi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">A qualidade dos processos de transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil depende n\u00e3o apenas do comprometimento com o estado de direito, com a soberania da lei e com a honra de contratos e d\u00edvidas, mas tamb\u00e9m de um regime macroecon\u00f4mico organizado, isto \u00e9, fiscal, monet\u00e1rio e cambial. Nessa perspectiva, a autonomia do Banco Central\u00b2, testada em v\u00e1rios pa\u00edses, sinaliza um importante avan\u00e7o macroecon\u00f4mico no Brasil. Contudo, n\u00e3o se pode considerar a iniciativa como uma solu\u00e7\u00e3o definitiva ao ambiente monet\u00e1rio. A t\u00edtulo de exemplo, na Am\u00e9rica do Sul houve tr\u00eas casos recentes de pa\u00edses que tiveram a autonomia formal de seus Bancos Centrais, mas vieram a colapsar, foram eles a Venezuela, com Rafael Caldeira, o M\u00e9xico, com Miguel Manseira e a Argentina com Pedro Paul. Assim, a lei aprovada, que garante a independ\u00eancia do Banco Central no Brasil, foi um grande avan\u00e7o institucional, mas n\u00e3o significa que se possa resolver todos os problemas com ela. Na verdade, a autonomia aprovada deve ser tida como uma defesa a mais. Boas institui\u00e7\u00f5es no campo monet\u00e1rio e cambial devem estar alinhadas com uma pol\u00edtica fiscal est\u00e1vel, j\u00e1 que dificilmente um Banco Central prospera sob um contexto de fragilidade fiscal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\"><strong>N\u00e3o h\u00e1 caminho f\u00e1cil, mas ainda existe um caminho&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">O momento pelo qual o Brasil passa \u00e9 preocupante, e a quest\u00e3o n\u00e3o se restringe ao presente, j\u00e1 que, h\u00e1 40 anos, n\u00e3o h\u00e1 avan\u00e7o significativo da renda per capita e da redu\u00e7\u00e3o do<em> gap<\/em> em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s economias mais desenvolvidas. Apesar do quadro, h\u00e1 tamb\u00e9m aspectos promissores, sob um olhar de longo prazo, a se considerar, por exemplo, o engajamento dos jovens na pol\u00edtica, o avan\u00e7o nas defesas institucionais e a liberdade civil e de imprensa, o que ajuda a limitar os danos de uma pol\u00edtica mal conduzida.&nbsp; A esperan\u00e7a \u00e9 de que possa haver um maior crescimento no Brasil e de forma mais justa dada a convic\u00e7\u00e3o de que ainda h\u00e1 uma grande necessidade de se melhorar. Ou seja, a partir de uma atua\u00e7\u00e3o que o ocupe o lado macroecon\u00f4mico de forma abrangente, espera-se n\u00e3o apenas o crescimento, mas tamb\u00e9m a gera\u00e7\u00e3o de oportunidades e mobilidade social, para que se reduza a vulnerabilidade a demagogias e populismos que vieram a ser um embargo n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas tamb\u00e9m na Am\u00e9rica Latina. Assim, n\u00e3o h\u00e1 um caminho f\u00e1cil, mas ainda existe um caminho para a mudan\u00e7a no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00b9 Assinada e lida por Luiz In\u00e1cio Lula da Silva em junho de 2002, a carta ao povo brasileiro foi um texto que assegurava, em caso de vit\u00f3ria, o respeito aos contratos nacionais e internacionais pelo PT. \u00cdntegra dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/brasil\/ult96u33908.shtml\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/brasil\/ult96u33908.shtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">2 Lei aprovada na C\u00e2mara dos Deputados em 10\/02\/2021 e sancionada pelo presidente Jair Messias Bolsonaro em 24\/02\/2021, 6 dias ap\u00f3s a grava\u00e7\u00e3o com Arm\u00ednio para o podcast. Mat\u00e9ria dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2021\/02\/24\/bolsonaro-sanciona-lei-que-estabelece-a-autonomia-do-banco-central-veja-detalhes.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2021\/02\/24\/bolsonaro-sanciona-lei-que-estabelece-a-autonomia-do-banco-central-veja-detalhes.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<hr>\n\n\n\n<p class=\"has-megaphone-acc-color has-text-color has-large-font-size\"><strong>Leituras sugeridas:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div id=\"leitura\" style=\"position: relative; top: -200px\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">&#8211; Hist\u00f3ria Contada (BCB): Arm\u00ednio Fraga Neto<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">Dispon\u00edvel em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/historiacontada\/publicacoes\/hc_bc_volume_24_arminio_fraga_neto.pdf\">https:\/\/www.bcb.gov.br\/historiacontada\/publicacoes\/hc_bc_volume_24_arminio_fraga_neto.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">&#8211; Artigo publicado em 2000, baseado na apresenta\u00e7\u00e3o no Simp\u00f3sio do Fed, em Jackson Hole (agosto, 1999)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.imf.org\/external\/pubs\/ft\/fandd\/2000\/03\/pdf\/fraga.pdf\">https:\/\/www.imf.org\/external\/pubs\/ft\/fandd\/2000\/03\/pdf\/fraga.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/iepecdg.com.br\/podcast\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/POD-ARMINIO-NOVA-B.mp3\"><\/audio><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00f3cio fundador da G\u00e1vea Investimentos e presidente do conselho do Instituto de Estudos para Pol\u00edticas de Sa\u00fade.\u00a0Membro do Group of Thirty e do Council on Foreign Relations.\u00a0Foi presidente do Banco Central (1999-2003), presidente do conselho da B3, diretor do\u00a0Soros Fund Management\u00a0e trustee da Princeton University (EUA), onde obteve seu Ph.D.. 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