{"id":2200,"date":"2021-11-17T18:38:55","date_gmt":"2021-11-17T18:38:55","guid":{"rendered":"https:\/\/iepecdg.com.br\/podcast\/?p=2200"},"modified":"2021-11-18T16:53:21","modified_gmt":"2021-11-18T16:53:21","slug":"pedro-malan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/iepecdg.com.br\/podcast\/podcast\/pedro-malan\/","title":{"rendered":"Pedro Malan"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-normal-font-size\">Pedro S. Malan&nbsp;foi Ministro da Fazenda (1995\u20132002). Presidente do Banco Central (1993-1994). Negociador-chefe da d\u00edvida externa (1991-1993). Foi tamb\u00e9m representante do Brasil na Diretoria Executiva do Banco Mundial e do BID em Washington e Diretor de \u00f3rg\u00e3os da Na\u00e7\u00f5es Unidas em Nova York. Desde 2003, \u00e9 membro de conselhos de empresas no Brasil e no exterior. Professor do Departamento de Economia da PUC-Rio. Doutor em Economia pela Universidade da Calif\u00f3rnia, Berkeley. Autor de \u201cUma Certa Ideia de Brasil: Entre passado e futuro\u201d (Intr\u00ednseca, 2018). Um dos organizadores do livro: \u201c130 Anos: Em Busca da Rep\u00fablica\u201d (Intr\u00ednseca, 2019),&nbsp;vencedor da 62\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio&nbsp;Jabuti na categoria Ci\u00eancias Sociais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr>\n\n\n\n<p class=\"has-megaphone-acc-color has-text-color has-large-font-size\"><strong>Resumo:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div id=\"resumo\" style=\"position: relative; top: -200px\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">No primeiro de um bloco especial de dois epis\u00f3dios, o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan comenta sobre seu per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o, as experi\u00eancias profissionais no EPEA (depois IPEA), PUC- Rio, Na\u00e7\u00f5es Unidas, Banco Mundial, BID, FMI e Minist\u00e9rio da Fazenda e sobre a sua vis\u00e3o do Brasil no mundo.&nbsp; Malan traz os bastidores, bem como li\u00e7\u00f5es, da negocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa brasileira. Sobre o Plano Real, enfatiza a import\u00e2ncia de uma equipe qualificada como ingrediente essencial para o sucesso do plano e relata os desafios que posteriormente enfrentou como Ministro, face aos desequil\u00edbrios fiscais, as reformas econ\u00f4micas e a pol\u00edtica cambial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\"><strong>Trajet\u00f3ria acad\u00eamica e profissional&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">A trajet\u00f3ria de Malan na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o se encaixa em uma carreira tradicional de \u201cmandarim\u201d do setor p\u00fablico. Mescla variadas experi\u00eancias, de pesquisa no EPEA (depois IPEA), acad\u00eamica na PUC-Rio, dire\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o de pesquisa nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, representa\u00e7\u00e3o do Brasil em organismos internacionais, negocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa, presid\u00eancia do Banco Central do Brasil (1991) e oito anos como Ministro da Fazenda (1995-2002).&nbsp; A experi\u00eancia do Banco Mundial (1986-1990) ocorre em um momento de crises financeiras e lhe permite uma vis\u00e3o privilegiada da negocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa do Mexico, um conhecimento importante para seu posterior papel como negociador da d\u00edvida brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\"><strong>Renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida: Plano Brady e li\u00e7\u00f5es da negocia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">Pedro Malan recebe convite de Marc\u00edlio Marques Moreira e de Francisco Gros para liderar a negocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa, em substitui\u00e7\u00e3o ao embaixador Jorio Dauster. Ap\u00f3s o fracasso do Plano Baker, as discuss\u00f5es em Washington caminhavam em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de uma ampla solu\u00e7\u00e3o para redu\u00e7\u00e3o do estoque da d\u00edvida, que levou, finalmente, ao plano Brady, lan\u00e7ado no final da d\u00e9cada de 1980. A experi\u00eancia como negociador deixa importantes li\u00e7\u00f5es. A percep\u00e7\u00e3o de que o primeiro fundamento para negocia\u00e7\u00f5es est\u00e1 no conhecimento de onde se est\u00e1 e para onde se quer ir. Ou seja, renunciar \u00e0s perspectivas e problemas passados e olhar para frente, com foco na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas. A segunda \u00e9 o reconhecimento do papel da equipe e da rela\u00e7\u00e3o com a governan\u00e7a do Pa\u00eds. \u00c9 preciso se cercar de uma boa equipe, com dom\u00ednio dos variados temas da negocia\u00e7\u00e3o e construir boa rela\u00e7\u00e3o com as lideran\u00e7as decis\u00f3rias do pa\u00eds. \u00c9 comum que o outro lado da negocia\u00e7\u00e3o perceba a fragilidade do mandato do negociador e a perda de confian\u00e7a ante o poder decisor. A constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es estruturais para a d\u00edvida, ancorada no Plano Brady, conduz a uma supera\u00e7\u00e3o permanente do problema, que sai das preocupa\u00e7\u00f5es dos gestores de pol\u00edtica econ\u00f4mica desde ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\"><strong>Plano Real: a quest\u00e3o fiscal, o caso mexicano e as press\u00f5es pela desvaloriza\u00e7\u00e3o do real<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">N\u00e3o existe solu\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria para uma situa\u00e7\u00e3o fiscal insustent\u00e1vel no m\u00e9dio e longo prazo. Com uma infla\u00e7\u00e3o que j\u00e1 acumulava mais de 2000% em 1993, a resolu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o fiscal era primordial para a estabilidade que viria com a cria\u00e7\u00e3o da URV. Adotado o real, e deixado flutuar entre julho e setembro de 1994, alcan\u00e7ou-se uma aprecia\u00e7\u00e3o de R$0,85\/US$1. Face ao cen\u00e1rio externo, com uma crise pol\u00edtica e desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial crescente no M\u00e9xico, surgiram press\u00f5es para a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real naquele ano. Apesar dessas press\u00f5es, o debate acabou se centrando no sistema de bandas cambiais, adotado em 6 de mar\u00e7o de 1995, discutindo-se sua extens\u00e3o e a viabilidade de interven\u00e7\u00f5es, o que se estende at\u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o do sistema de c\u00e2mbio flutuante no in\u00edcio de 1999.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\"><strong>Import\u00e2ncia de um n\u00facleo s\u00f3lido, solu\u00e7\u00f5es de compromisso e impasses cambiais&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">Para superar as mal-sucedidas experi\u00eancias anteriores de tentativa de estabiliza\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o, era preciso formar uma equipe com pessoas altamente qualificadas. O n\u00facleo formado por Edmar Bacha, Andr\u00e9 Lara Resende, P\u00e9rsio Arida e Gustavo Franco, assim como Murilo Portugal na Secretaria do Tesouro Nacional, foi essencial para o sucesso do Plano Real. Em uma equipe com este perfil era essencial ouvir as pessoas e buscar solu\u00e7\u00f5es de compromisso ante os impasses. Malan examina um destes impasses, referente ao sistema de bandas, o qual em um primeiro momento enfrentara desconfian\u00e7a do mercado. Discute os dilemas que acompanharam as decis\u00f5es sobre a pol\u00edtica cambial no Real, os determinantes da taxa de c\u00e2mbio e relembra a grande sensibilidade do c\u00e2mbio \u00e0s percep\u00e7\u00f5es e expectativas no mercado de capitais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\"><strong>Papel do pa\u00eds no mundo, a centralidade do contexto dom\u00e9stico&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">Pedro Malan costuma analisar o Brasil a partir de tr\u00eas c\u00edrculos conc\u00eantricos: o dom\u00e9stico, o regional e o global. Malan considera que o Brasil tem leg\u00edtimas ambi\u00e7\u00f5es de uma forte presen\u00e7a,&nbsp;voz, influ\u00eancia e protagonismo nos v\u00e1rios foros internacionais de que participa. Mas para isso precisa ter gravitas na sua regi\u00e3o, na sua geografia-destino. O pa\u00eds precisa&nbsp;ser percebido na sua regi\u00e3o como tendo uma voz que merece ser ouvida, tendo influ\u00eancia positiva e construtiva, em termos do relacionamento com os demais pa\u00edses. Mas no fundo o que importa em sua vis\u00e3o \u00e9 o contexto dom\u00e9stico. A batalhas fundamentais s\u00e3o travadas e s\u00e3o ganhas ou perdidas no front dom\u00e9stico. \u00c9 aqui que se tem a capacidade de se ter algum tipo de influ\u00eancia positiva, construtiva do nosso interesse, mas tamb\u00e9m para nosso benef\u00edcio na regi\u00e3o e no resto do mundo. &nbsp; O Brasil n\u00e3o pode nem deve se considerar como uma v\u00edtima passiva de eventos fora de seu controle.<\/p>\n\n\n\n<hr>\n\n\n\n<p class=\"has-megaphone-acc-color has-text-color has-large-font-size\"><strong>Leituras sugeridas:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div id=\"leitura\" style=\"position: relative; top: -200px\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">BACHA, Edmar. <strong>Bel\u00edndia 2.0<\/strong>: f\u00e1bulas e ensaios sobre o pa\u00eds dos contrastes. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o brasileira, 2012.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">Obs.: recomenda-se, em especial, a leitura da se\u00e7\u00e3o II cap\u00edtulos 6 e 7 e se\u00e7\u00f5es III e V.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">BACHA, Edmar. <strong>A crise fiscal e monet\u00e1ria brasileira<\/strong>. Rio de Janeiro:&nbsp;Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2016.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">Obs.: recomenda-se a leitura das partes 5, 6 e 7.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">FRANCO, Gustavo. <strong>A moeda e a lei<\/strong>: uma hist\u00f3ria monet\u00e1ria brasileira (1933-2013). Rio de Janeiro: Zahar, 2017.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">Obs.: recomenda-se a leitura dos cap\u00edtulos 1, 8 e 9<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">&nbsp;KENNAN, George F. <strong>Around the Cragged Hill<\/strong>. New York\/London: W.W. Norton &amp; Company, 1993.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">Obs.: recomenda-se, em especial, a leitura dos cap\u00edtulos III (On government and governments) e&nbsp; VII (Dimensions).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">MALAN, Pedro. <strong>Uma certa ideia de Brasil<\/strong>: entre passado e futuro (2003-2018). Rio de Janeiro: Intr\u00ednseca, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">MALAN, Pedro. \u201cPerspectivas do desenvolvimento com estabilidade\u201d. In: VELLOSO, J. P. R. (coord.).\u00a0<strong>Brasil 500 anos: <\/strong>Futuro, Presente, Passado.\u00a0 Rio de Janeiro:\u00a0 Jos\u00e9 Olympio, 2000 [XII F\u00f3rum Nacional, 2000].<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/iepecdg.com.br\/podcast\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/MALAM-MIX-8.mp3\"><\/audio><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro S. Malan&nbsp;foi Ministro da Fazenda (1995\u20132002). 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