Casa das Garças

Armínio Fraga: Momento é preocupante porque mostra País meio perdido e sem caminho claro

Data: 

18/05/2026

Autor: 

Arminio Fraga

Veículo: 

O Estado de São Paulo

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RIO – Ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio-fundador da Gávea Investimentos, Armínio Fraga disse nesta sexta-feira, 15, que o País atravessa um período “para lá de preocupante”, ao avaliar que o cenário atual “mostra o país meio perdido e sem caminho claro” para se desenvolver. Para ele, o Brasil vive uma crise que “merece ser chamada de institucional” – e “vem frustrando nossos sonhos há bastante tempo”, diz.
Fraga afirmou que, desde 1995, com o Plano Real “a pleno vapor”, o País registrou taxa média de crescimento per capita de 1,3%, inferior à dos Estados Unidos. “Em tese, país mais pobre tem mais espaço para crescer”, disse. Ele acrescentou que, nesse contexto, os retornos deveriam ser mais elevados do que em economias mais maduras, “mas isso não tem acontecido”.
Armínio Fraga participa de evento realizado pelo RenovaBr, escola de formação política criada em 2017 pelo empresário e investidor Eduardo Mufarej, visando à formação de novas lideranças políticas no País.
Apesar do diagnóstico, Fraga disse que o País tem potencial para acelerar. Segundo ele, o Brasil pode crescer “a taxa três vezes mais rápida por duas décadas”, desde que consiga enfrentar gargalos políticos e institucionais e organizar prioridades.
O ex-presidente do BC afirmou ainda que “não há experiência de país que tenha se desenvolvido sem um ‘Estado bom’”. Na sua avaliação, o momento internacional também impõe desafios adicionais. “Hoje vemos democracias ameaçadas de várias formas”, disse.
Ele observou que países com padrão mais alto e desigualdade baixa “são todos ou quase democracias” e lembrou que “não faz muito tempo que vivemos uma ameaça à democracia”. Para ele, o Brasil ainda tem “desafios enormes na área política institucional”.
No campo doméstico, Fraga disse que o Estado brasileiro vive um “gravíssimo problema de prioridades” e avaliou que o País enfrenta “situação de captura do Estado por grupos de interesse”. Segundo ele, “o que o Estado deveria fazer não ocorre por questões quantitativas”. Ele também chamou atenção para o peso do gasto previdenciário. “A Previdência, da forma como se encontra, é inviável”, afirmou.
Fraga defendeu ainda que “hoje é preciso um ajuste fiscal para repensar as prioridades do governo”. Segundo ele, o ajuste a ser feito precisa ser “maior do que o necessário para ter juros menor”. Ele também citou questões de segurança pública e integridade institucional.
“A segurança é um problema gigantesco; o nível de corrupção é intolerável”, disse. Ao comentar a dinâmica política, afirmou: “Todo político precisa vender seu peixe, mas não precisa vender peixe que não vai entregar”.
Armínio Fraga disse que, na sua avaliação, a política macroeconômica tem operado em um ambiente de falta de coordenação com outras frentes. “O BC está tirando água do convés e outros estão jogando para dentro, fica uma política macroeconômica esquizofrênica”, afirmou.
Armínio comentou ainda que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, “está lidando com circunstâncias muito adversas”. Segundo ele, a atuação do BC tem hoje uma moldura institucional de “independência operacional”, mas esse desenho perde potência se não houver coordenação macroeconômica.

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