Casa das Garças

A SAF do Brasil

Data: 

31/05/2026

Autor: 

Gustavo Franco

Veículo: 

O Globo e O Estado de São Paulo

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O torcedor não tem interesse no endividamento nem no superávit primário ou secundário da SAF, tampouco nos detalhes da alavancagem societária de John Textor, ou se o crédito trabalhista contra o associativo tem senioridade no contexto da recuperação judicial (RJ) da SAF.

O importante é ter alguém botando dinheiro no time, e sem perspectiva de tirar.

Mas antes de concluir que o torcedor alvinegro é a prova viva da teoria econômica de Dilma Rousseff (pela qual gasto é vida, ou a vida é o gasto), em oposição ao malsinado “pensamento ortodoxo” e sua obsessão com as contas no azul e a sustentabilidade financeira, vamos prestar atenção num fato muito básico:

Torcedor não é acionista, nem contribuinte.

Torcedor tem zero responsabilidade pelos resultados financeiros e toda a autoridade do mundo para cobrar resultados esportivos.

É estranho e delicado o alinhamento de incentivos de investidores nesse modelo de SAF. Mas o assunto desta coluna é a economia e, com efeito, a lógica é diferente, quando se pensa o Brasil, essa república federativa que joga de amarelo. Todo mundo é contribuinte, antes mesmo de ser torcedor.

Isso muda tudo, ou será que não?

Um país não pode seguir indefinidamente tomando dinheiro emprestado de forma irresponsável apenas para cumprir objetivos efêmeros & eleitoreiros, como algumas dessas SAFs.

Ou pode?

Seria o Brasil uma espécie de SAF a meio caminho da recuperação judicial, e cujos dirigentes parecem atrás de seus próprios ganhos?

De todo modo, é estranhamente convergente ver os comentaristas esportivos falando em fairplay e sustentabilidade financeira, e os especialistas em política fiscal achando que o governo anda comprando jogadores (programas e projetos) meia bomba, meio caros, meio ineficazes, meio estelionato, tal como sugeridos por marqueteiros, pensando em glórias que não têm nada de eternas.

 

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