Casa das Garças

Arminio Fraga diz que Brasil repete erros e compara cenário econômico ao pré-crise do governo Dilma

Data: 

17/08/2026

Autor: 

Arminio Fraga

Veículo: 

Folha de São Paulo e Valor Econômico

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O economista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, afirma que a herança fiscal para o próximo governo indica que o país está caminhando para uma nova crise, comparando o cenário atual ao período que antecedeu a recessão econômica no governo Dilma.
“Agora já não tem mais dúvida, vai ser uma herança complicada mesmo, maldita, que sugere que nós estamos caminhando para uma situação difícil”, disse ele em entrevista ao também economista Marcos Lisboa para o videocast Desenquadrando, da Folha.
O Desenquadrando é um especial com entrevistas sobre temas que impactam a sociedade brasileira. O programa está disponível no canal da TV Folha no YouTube. Políticas públicas, metas de inflação e investimentos em saúde e educação foram alguns dos temas abordados na conversa.
Arminio afirma que o momento atual parece integrar um “ciclo político clássico”, em que há alta de gastos em ano de eleição e o resto da economia fica “meio sem rumo”.
“Por que a gente não aprende? Estamos de novo numa situação onde a política macro é totalmente descoordenada. Tem um Banco Central tentando cumprir seu mandato e segurar a inflação. E, do outro lado, tipo um cabo de guerra, tem gente justamente procurando de toda maneira gastar”, afirmou.
Segundo Fraga, dados como a estatística de desemprego —que recuou a 5,4% no trimestre até junho, o menor nível para esse período na série histórica— mascaram o tamanho do problema fiscal.
“Estamos aqui, outra vez achando que esquentar a economia a curto prazo vai resolver os nossos problemas, e não vai.”
Para ele, os problemas estão surgindo rápido e em ondas, com o mercado de crédito já sinalizando o mau tempo.
“A primeira onda foi o crédito pessoal, com dezenas de milhões de inadimplências. Depois, o varejo, que em geral trabalha com margens pequenas e carregando estoque, então eles têm uma dívida natural. Esse setor foi dizimado”, afirmou.
Na opinião de Fraga, um dos problemas fiscais do país é que, apesar de muito se falar em austeridade e ajustes, na prática isso não aconteceu.
“O gasto público no Brasil há uns 30, uns 40 anos atrás, era mais ou menos um quarto do PIB, e hoje deve ser um terço. Então subiu 9 pontos do PIB, mais ou menos. Então não teve austeridade. Acho que dá para dizer que houve falta de prioridade, isso sim, mas austeridade não teve”.
Na análise do economista, o crescimento do PIB per capita do Brasil foi “medíocre” nas últimas três décadas, em parte por causa da política fiscal. Segundo ele, desde o Plano Real, houve alguns momentos de esperança. Para ele, um deles foi o primeiro governo de Lula.
Fraga foi presidente do BC entre 1999 e 2003, ano em que começou o primeiro mandato do PT na presidência. “Aquilo ali foi um momento maravilhoso. Mas, depois, em um ataque assim meio de amnésia, os velhos vícios e as velhas ideias voltaram”, afirmou.

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