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O ex-presidente do Banco Central (BC) Arminio Fraga afirmou que a autoridade monetária precisa de ajuda “e só tem um lugar que pode ajudar, que é o fiscal”. Para Fraga, os sintomas que o “paciente Brasil” exibe são muito graves.
“A curva de juros está lá na Lua, a perder de vista.[…] As expectativas de inflação, não as de curto prazo, que dou pouca importância, mas as taxas implícitas idem, em 6% a perder de vista, sugerem que tem um problema e acho que o problema, em última instância, é que o Banco Central precisa de ajuda e só tem um lugar que pode ajudar que é o fiscal”, disse.
Fraga acompanhava da plateia um seminário em que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, participou no Rio de Janeiro. O ex-presidente do BC ressaltou que a dívida pública cresce com velocidade e que Galípolo vai tomar um “suco amargo”. O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros de 12,25% para 13,25% ao ano na última semana.
“Você, como uma pessoa de confiança das altas autoridades do nosso país, talvez possa convencê-los que não tem mágica e isso que aconteceu até agora foi muito bom, desemprego está baixo, é um sonho, mas agora a festa meio que acabou”, afirmou Fraga, destacando que “a coisa não está bem” e que o “remédio” deve funcionar, se referindo aos juros.
O ex-presidente do BC destacou que não é um problema de comunicação e que o BC não faz milagre. “Eu considero que o paciente está na UTI. Não precisa nem entrar na discussão ou não se é ou não dominância fiscal, acho que isso é muito acadêmico. O mix macro precisa mudar e acho que isso não parece estar na agenda”, disse.
Na resposta, Galípolo citou dados coletados no relatório Focus e no Questionário PréCopom (QPC). “Quando você olha, todos ou a maioria sinalizava, sim, essa expectativa de que caminhando a taxa de juros para o patamar contracionista para que ela está se movendo, sim você vai assistir uma desaceleração da economia”, disse.
Com isso, Galípolo afirmou que, quando se olha para outras projeções e expectativas há um “quebra-cabeça”, ressaltando que o BC tem que sempre ser preventivo pelas próprias “defasagens inerentes da política monetária”.
“Na interlocução com o mercado, me parece que o ue existe hoje é mais uma dúvida sobre uma função da reação do governo a partir da uma desaceleração da economia. Isso não é simples de você endereçar enquanto autoridade monetária. Uma coisa é ser preventivo a algo que está presente, outra coisa é você é lutar com algo que não existe ainda ou que possa nem existir”, disse.
Galípolo então concordou que o “remédio” vai funcionar e que o Banco Central mostrou que “tem condições de colocar a taxa de juros em patamar restritivo e seguir nessa direção”.
O presidente do BC comentou que há um desafio pessoal de “encontrar a medida certa do que cabe à autoridade monetária falar e “disso eu não posso me queixar”. “Tenho tido espaço e voz para poder falar sobre o que imagino o que vai acontecer com o mercado e tentar traduzir e explicar por que está acontecendo com o mercado e o que está acontecendo com o mercado, explicar como os preços estão reagindo, como os ativos estão reagindo”, disse.
Galípolo ainda pontuou que outra variável é delimitar a função institucional do BC. “Isso realmente, como você bem colocou, faz parte de um desafio para você não cruzar uma linha e não transcender o que é o quadrado a autoridade monetária”, afirmou Galípolo.
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