Casa das Garças

Malan defende visão de longo prazo para ‘além de governo da hora’

Data: 

29/09/2026

Autor: 

Pedro S. Malan

Veículo: 

Valor Econômico

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O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan afirmou nesta segunda-feira (28) que o Brasil tem pouca tradição em aprender com os erros do passado em suas estratégias de desenvolvimento e de educação e defendeu uma visão de longo prazo, para “além do governo da hora”.
“Tivemos inúmeros atos de voluntarismo fracassado[…] Mas no Brasil temos pouca tradição de ver o que não deu certo. Quando penso no que a China fez, acho que temos que repensar sobre a importância de uma visão além do governo da hora, dos próximos quatro anos ou da próxima década”, disse o economista.
A avaliação foi feita em evento na Casa das Garças, no Rio, para o lançamento do livro “Imagine Brasil: Transição para a Prosperidade Sustentável e Inclusiva”, organizado pelos professores da Fundação Dom Cabral (FDC) Aldemir Drummond, Paulo Paiva e Viviane Barreto.
A publicação reúne especialistas de diferentes áreas com a proposta de uma agenda estratégica de transformação do Brasil. Malan citou a experiência China, a partir de um projeto baseado em ciência e tecnologia.
No começo dos anos 1980, a China recebeu um financiamento de US$ 200 milhões do Banco Mundial (US$ 750 milhões a valores de hoje) e fez um planejamento de longo prazo no país.
Malan classificou o caso chinês como o mais bem-sucedido para exploração de vantagens comparativas para o desenvolvimento e a redução do hiato tecnológico em relação a outros países.
Para isso, pesou o avanço da educação com qualidade e uma visão de longo prazo: “Não foi algo que surgiu de repente”.
Foi nesse contexto que Malan citou “atos de voluntarismo fracassado”, de iniciativas que deram errado no Brasil, mesmo com desejo de darem certo.
Sem citar nomes, condenou políticas de apoio ao setor naval brasileiro em 2014 e os investimentos de décadas na indústria nuclear, mas mencionou o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Embrapa como exemplos positivos de políticas de apoio governamental.
De acordo com Malan, o livro é uma das expressões da sociedade civil “angustiada” com a situação de hoje. “Espero que as assessorias econômicas dos candidatos que vão assumir se debrucem sobre essas propostas.”
Na avaliação do economista Edmar Bacha, sócio-fundador e diretor da Casa das Garças e um dos pais do Plano Real, o novo contexto mundial provocou a retomada de políticas industriais, diante da situação geopolítica, os impactos da pandemia nas cadeias globais e a inteligência artificial (IA).
“As políticas industriais estão aí e vão continuar”, disse, e, por isso, é natural pensar na existência delas no Brasil. O objetivo dessas políticas, no entanto, deve ser a competitividade internacional e não o atendimento ao mercado interno, como ocorre hoje na Nova Indústria Brasil (NIB).
“Todas as metas da NIB são de substituição de importações. É preciso mudar a natureza das metas. [A ideia] não é suprir o mercado interno, é competir internacionalmente. É exportabilidade com encadeamento interno”, disse.
O economista classifica a NIB como equivocada e sem capacidade de resolver o desafio da estagnação da produtividade na economia brasileira.

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