Casa das Garças

Política fiscal é ‘suicida’ e juros altos são sintoma inequívoco

Data: 

06/10/2025

Autor: 

Armínio Fraga

Veículo: 

Valor Econômico

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Os desequilíbrios da atual política fiscal do Brasil tiram espaço de manobra para que o Banco Central atue por meio da sua política monetária, o que obriga a autarquia a manter a taxa Selic em patamar muito elevado, na avaliação de Arminio Fraga, ex-presidente do BC e sócio-fundador da Gávea Investimentos.

“O fiscal é, de longe, o tema mais importante do momento, e as taxas de juros são o sintoma inequívoco”, disse Fraga durante evento da Fundação FHC, que também contou com a participação do presidente do BC, Gabriel Galípolo.

Para ele, a atual política fiscal é “suicida” e levanta o debate sobre a possibilidade de que a autoridade monetária alongue o seu horizonte de convergência da inflação à meta de 3% (atualmente de seis trimestres à frente).

“A política fiscal atual embute um prêmio de risco que, no fundo, encurta os horizontes das pessoas e amedronta o investimento”, criticou Arminio.

Para ele, projetos de isenções de impostos defendidos pelo governo reforçam essa percepção de risco e “são difíceis de entender”, uma vez que pressionam os juros.

“Vejo bastante espaço para melhora no Brasil, mas infelizmente também vejo um risco enorme de passarmos por uma crise de grandes proporções se não houver uma correção de rumo”, alertou Arminio.

Sem uma “guinada” da política fiscal, o BC não conseguirá equilibrar a economia sozinho. “Fica uma política [econômica] meio esquizofrênica.”

Fraga foi presidente do BC no período da criação do sistema de metas de inflação e de implementação do câmbio flutuante, em 1999.

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