Casa das Garças

Muito barulho por quase nada

Data: 

29/12/2025

Autor: 

Gustavo Franco

Veículo: 

O Globo e O Estado de São Paulo

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Este é o padrão que se observa em cada um dos três grandes enredos da economia em 2025: juros, Trump e o fiscal.

O ano começa com os ecos da gritaria contra o BCB. Nas primeiras reuniões do Copom sob Gabriel Galípolo, para a surpresa de muita gente, a Selic subiu para 15%, onde permaneceu desde então, sob um silêncio ensurdecedor do Palácio.

Apesar do esperneio, aterrissou bem o novo sistema pelo qual os dirigentes do BCB passaram a ter mandatos fixos. Os dirigentes nomeados por Lula têm conduzido a política monetária no exato figurino do sistema de metas, ao menos até agora.

O segundo grande tumulto que não deu em nada foi Trump. O tarifaço foi um tamanho festival de atrapalhações pelo lado americano que mal deu tempo para o Brasil reciprocar.

Como se esperava, apareceu a diplomacia, os presidentes foram “pragmáticos”, evocaram uma “química” e o tarifaço foi derretendo até quase sair do noticiário.

Todo o exercício era para enfraquecer o dólar, o que acabou acontecendo espontaneamente nos mercados: uns 10-15% em termos globais desde o “liberation day” foram suficientes para levar o real para a região de R$ 5,5 ou menos (por dólar), quando se esperava (antes do tarifaço) que fosse para R$ 6 ou mais. Claro que fez muita diferença para a inflação, que terminou o ano entrando na faixa superior de tolerância.

Espera-se que o Copom cumpra o seu dever, declare vitória com certo mau humor, e comece a baixar a Selic em 28 de janeiro ou, no máximo, em 17 de março. Oxalá.

Quem poderia dizer que Trump, depois de todo o pandemônio que fez, ajudaria a política monetária?

O terceiro assunto, sobre o qual o falatório tem sido intenso, é o fiscal.

Depois do fiasco do corte de gastos que nada cortou em dezembro de 2024, seguiram-se esforços para cumprir as metas reconhecidamente frouxas do arcabouço, misturados com “bondades” de vários tipos. Falhou a tentativa de resolver o assunto pelo lado da receita, assunto que ficou no terreno da marquetagem.

Tudo considerado, o ano é de um pé no acelerador, outro no freio: déficit grande e juro alto. O carro gasta muita energia, patina no mesmo lugar, muito pneu cantando, tensão e reclamação, mas pouco movimento.

O ano termina com a dívida pública chegando em 80% do PIB, um nível inédito e assustador: talvez já no modo pirâmide, e a eleição nem começou. O PR fala sobre a isenção dos R$ 5 mil como um décimo quarto salário. E a bondade a seguir é a da jornada, que equivale a 50 feriados adicionais a cada ano.

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