Casa das Garças

Sobre os juros no Brasil

Data: 

23/06/2026

Autor: 

Arminio Fraga

Veículo: 

O Globo

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A política de juros, sim, é necessária como parte de um tripé com responsabilidade fiscal e câmbio flutuante, aponta Armínio Fraga

A excelente coluna desta segunda-feira do Preto Zezé me animou a escrever esta nota. Muita gente me pergunta sobre os juros altíssimos de hoje. A política de juros altos não é necessária. A política de juros, sim, é necessária como parte de um tripé com responsabilidade fiscal e câmbio flutuante.

Quando praticado, o tripé tem prestado bons serviços, desde 1999. Mas hoje o tripé está sem uma perna, a fiscal. Funciona assim: enquanto o BC está tirando água do convés, as políticas fiscal e de crédito jogam água para dentro. Trata-se de um cabo-de-guerra suicida.

Para compensar essa barbeiragem, o BC é obrigado a praticar esses juros altíssimos, buscando cumprir seu mandato legal. O certo e óbvio seria uma política fiscal responsável e sustentável, não uma gastança irresponsável.

Isso fica claro quando se observa que os juros altos não se limitam ao curto prazo, que o BC define. Os juros de longo prazo também estão na lua: cerca de 8% mais a inflação (IPCA), ao ano. Estes predominantemente espelham expectativas com relação à política fiscal, mas também refletem riscos e incertezas institucionais mais gerais, visíveis a olho nu em nossas bandas e alhures.

Uma redução de juros voluntarista, à la Dilma, não resolveria coisa alguma. Ao mesmo tempo, a manutenção desta política macroeconômica vai desembocar em uma grave crise de crédito, privado e público. Puro autoflagelo.

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