Casa das Garças

‘Não vejo fintechs como substitutas naturais dos bancos’, diz Arminio Fraga

Data: 

12/08/2026

Autor: 

Arminio Fraga

Veículo: 

Valor Econômico

Compartilhe: 

Ex-presidente do BC afirma que separaria a atividade bancária de outras frentes do mercado financeiro

“Eu não vejo as fintechs como sendo um substituto natural e concorrente dos bancos. Vejo, sim, o mercado de capitais como um todo”, afirmou o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, nesta terça-feira (11). “O mundo das fintechs vive mais no sistema de pagamentos”, ele acrescentou.

A declaração foi dada durante conversa sobre regulação de mercados promovida pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), em São Paulo. Fraga respondia a uma pergunta sobre se a busca por maior desconcentração no sistema financeiro, com a entrada de fintechs e outros participantes, poderia ter sido confundida com afrouxamento regulatório.

O ex-presidente do BC disse que separaria a atividade bancária de outras frentes do mercado financeiro. Segundo ele, o principal ponto de atenção nos problemas recentes do setor não está nas fintechs, mas no uso de fundos na composição dos ativos de bancos.
“Eu acho que o destaque do momento, para mim, foi o uso de fundos nos ativos dos bancos”, disse. Segundo Fraga, esse tipo de estrutura não impede a supervisão, já que Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM) têm instrumentos para examinar os fundos.
Ao comentar o caso do Banco Master, Fraga afirmou que o problema maior apareceu nessa estrutura. “O supervisor bancário teria que ter aberto, ter feito a pergunta: ‘O que é que tem dentro desse fundo?’”, disse. “Mas se tem outro fundo, então vai abrindo até chegar ao final, para ter uma ideia da qualidade dos ativos ou da falta dela.”
O ex-presidente do BC afirmou ainda que a busca por concorrência é positiva, mas ponderou que bancos exigem tratamento regulatório próprio. “A busca de concorrência é sempre saudável, mas é da natureza do banco não permitir livre entrada”, disse. Segundo ele, há hoje “uma situação de alerta”.
O economista também defendeu uma transição gradual de uma regulação baseada no tipo de instituição para uma regulação por função, modelo que, em sua avaliação, pode dar mais flexibilidade ao sistema e ao regulador.

Compartilhe esse artigo:

Leia também:

Caso Master foi falha grotesca de aplicação de regulação, diz Armínio Fraga

Data: 

Autor: 

Veículo: 

12/08/2026
Armínio Fraga
O Estado de São Paulo

O sucesso chinês: educação, tecnologia e abertura

Data: 

Autor: 

Veículo: 

10/08/2026
Pedro S. Malan
O Estado de São Paulo

‘Para botar o país nos trilhos, precisamos de mudanças’, diz Armínio Fraga

Data: 

Autor: 

Veículo: 

28/07/2026
Arminio Fraga
BandNews